“Desconfiam, acham ou afirmam com certeza. Sempre parecem ter uma opinião, uma sugestão do que parece ser ou um extinto de adivinhar. As pessoas sempre têm um julgamento á respeito do que eu faço e até do que eu sinto e pior, até do que eu não sinto, mas acham que sinto.
Não vai existir o dia que vou acordar e não vão ter dito algo, porque só nisso que todo mundo vira especialista, dizer coisas sobre as outras pessoas. É como se as palavras pesassem a língua caso fossem mantidas em sigilo ou no fundo opinar na vida que não lhe pertence fosse um hobbie. Todo mundo parece estar na vida de todo mundo, pelo menos agem como se conhecessem de frente a realidade de cada um.”
“Quando ele disse pela primeira vez “cala boca” ela se calou, não respondeu como respondia o próprio pai, não foi para cima dele ou se virou e foi embora. Apenas se calou, consentindo com tudo, aliás, não havia sentido em ela fazer isso.
Quando ele disse pela segunda vez “Cala a sua boca” ela calou-se e chorou na frente dele. Ele pediu desculpas, mas não disse que isso nunca mais fosse acontecer.
Quando ele disse pela terceira vez “Cala boca, sua vadia” ela lhe perguntou “Porque me trata assim?”. Ela acreditou na cara de arrependimento e no abraço que ele lhe deu.
Quando ele disse pela quarta vez “Eu vou fazer você calar essa sua boca”, ela retrucou “você seria capaz?” Ele não respondeu, ele fez e logo depois ajoelhado ele disse que ela era única na vida dele.
Na quinta vez ele não disse nada, porque ele apenas “fez” e ela não ficou viva para ouvir.”
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Quem se cala, morre a partir desse momento e vive aparentemente ate que o indivíduo decida que já é a hora de acabar com essa vida de aparências. Quem se cala comete uma injustiça com a própria vida.
- E.denis
“Você deveria estar levando a sua vida, mesmo que o Zeca Pagodinho diga o contrário.
Ter rédea sobre ela é importante, porque você não é tão experiente para deixar de fazer coisas que só dependem de uma atitude sua. É cedo para ficar na arquibancada vendo-a cuidar de tudo.
A forma que ela trata as pessoas é diferente da sua, por exemplo, ela não sabe dar o abraço que você dá ou consegue ensinar certas coisas sem antes dar um empurrão que pode machucar. Ela é muito afoita ou quando é devagar o tempo acaba se esgotando e já você com seu jeito tranqüilizante de ser consegue ensinar sem esgotar o tempo, se esgotar ou esgotar a pessoa. Você sabe sobre a vida mais do que ela sabe sobre você, por isso ela deveria cantar “deixo você me levar, você leva eu”.”
“Odeio a última linha da folha, nunca cabe tudo. Aliás, cabe sempre o fim, ela é boa para se escrever “Fim” porque combina com o fato de ser a última. Pena que na maioria das vezes é mais continuação ou talvez seja até bom. Ir além do momento que deve ser o último, parece desafiador ao mesmo tempo em que é como se estivesse passando pela felicidade eterna já que dizem que “no final viveram feliz para sempre”. A felicidade está na última linha sempre e pra sempre.”
“Não é fundo, é um pouco além, é profundo. É uma ida sem volta, um meio sem fim, uma dor tão constante que o costume faz com que ela passe despercebida. É andar todos os dias por um caminho e nunca saber como seguir. Estranho, medonho e talvez tão humano a ponto de parecer surreal.
Às vezes soa como um vício ou como uma parte essencial da vida, é como se o sofrimento deixasse de existir um buraco se abriria dentro do peito. Ele seria a base de sustentação de algo que só não caiu por ele existir, porque quando a gente sofre significa que ainda existe uma humanidade dentro de nós que se perde quando deixamos de sentir qualquer coisa, inclusive dor”
“Eu tive medo por você estar indo, medo de me arrepender por não ter feito nada para te impedir. A minha insegurança entre estar fazendo o certo ou não, me segurou e impediu que eu gritasse para que você não fosse. Por dias eu tive esse medo, até pensei que se tornaria um pesadelo, mas não aconteceu.
Dá um alívio quando a gente faz a coisa certa, com a pessoa certa de um jeito que faça bem a ela, mesmo que no começo não faça a nós. Eu me senti bem depois que eu vi você feliz, então voltei a acordar sorrindo para quem eu via no espelho e pude rezar sem pedir perdão a Deus por ter deixado você ir, porque agora você estava bem.”
“Meu pior momento não havia sido o pior, viria a ser depois de dias, depois que eu realmente enxergasse as coisas como elas eram. Depois que tudo deixasse de ser só bom e passasse a ser ruim, depois que os defeitos aparecessem, depois que eu tivesse a impressão de não mais te conhecer, depois que você fosse junto com todas as outras coisas pra longe.
Meu pior momento seria depois que não existissem mais momentos, depois que só restasse eu, sem mais nada e então o pior haveria de ter chegado.”
“- Você ta bem?
- Eu to me sentindo como uma pessoa se sente quando perde alguém, meio perdido. É como se mesmo vendo tudo, no fundo eu não visse nada, é como andar sozinho no escuro ou não conseguir encontrar aquilo que está na minha frente. É horrível ir dormir como se tivesse flutuando e acordar como se tivesse todas as dores do mundo. É tudo exagero, mas é como eu me sinto quando me sinto só. Pior, não é que eu me sinto só, eu estou só e não por opção. Mas eu estou bem, saudável.”
“Clarice, foste feliz nos momentos em que não escrevia ou escrevia sem parar para nunca deixar de estar feliz? Quando um escritor está bem ou quando escrever e escrever são sinônimos da necessidade de desabafar? Até que ponto aquela lágrima que o personagem derrubará, era realmente só do personagem e até que ponto aquela história não era a sua história? Você nunca se descreveu em um personagem ou nunca quis saber como ficaria bela sua vida em seus próprios livros? Nunca se cansou como aparentava estar sempre ou em algum momento você pensou que não estar em uma vida poderia ser uma opção?
Clarice, foste além da sua escrita e nunca soubera disso ou sempre tivera dimensão da grandeza que o seu coração traduzia em suas palavras? Você ainda vive aonde quer que você esteja ou já colocou um ponto final em si mesma?”
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Se eu pudesse lhe perguntar. - E.denis
“Você acha que tem domínio sobre tudo, mas já se tornou escravo do que você sente. Sabe aquele escravo cego, que realmente acha que estar nas mãos de alguém é a melhor coisa ou que ser escravo é sinônimo de proteção? Sabe aquele escravo que não reclama e que não percebe ou se sente injustiçado, que não quer liberdade, que não corre mesmo tendo a chance ou que simplesmente se acomoda mesmo quando tudo que você deveria fazer é se rebelar? Então.
Você se conforma com a situação, como se você deixasse de ser você caso abandonasse esse sentimento e então você não é mais um ser humano, é só uma peça de si mesmo, do seu próprio coração e da outra pessoa.”